torcedores querem transformar o Morumbi em caldeira

O sol começa a sumir na fria tarde de sexta-feira em São Paulo, enquanto Alan Kolesnik, 46, ou “RZ”, 13 escadas da escada sobe os um muro que ate três dias atrás era todo branco. Com ajuda de Breno Marchese, 29, ele arranca os fios que ajudaram na simetria e se prepara para passar mais uma mão de tinta.

As cores já dominam um terço do muro de 15 metros e os traços do rascunho começam a desenhar feições bastante conhecidas para quem é são-paulino. Rogério Ceni, Mineiro, Amoroso, Paulo Autor e companhia simbolizando uma homenagem aos campeões principal de 2005 feita em um espaço situado do outro lado da rua da bilheteria do estádio do Morumbi na avenida Jules Rimet.

É o primeiro passo de um projeto ambicioso feito por Alan e Breno. Eles querem transformar a história do estádio em um museu a céu aberto da são-paulina. Isso para o lado do mandante, é claro. Na rua que serve como acesso ao visitante, o plano é fazer um caldeirão tricolor. “Quero que lá seja uma pintura mais hostil, para eles ouvinte que aqui é nosso lugar. Eles vêm, assistem ao jogo, vão embora, mas sabendo que tem pressão.”

A ideia que a história de muros que é a avenida Giovanni Jules Rimet e os pedaços da sãopaulina. Ao lado dos campeões sociais a partir de 2005, Alan afirma grafitar os herois de 1992 e 1993. Mas para isso precisa de dinheiro. “Não tenho nem para esse que estou fazendo.”

Breno e Alan sonham em criar uma identidade são-paulina nos arredores do Morumbi

Imagem: Bruno Carvalho/UOL

Os deve iniciar uma vaquinha nas redes sociais para levantar fundos para que o projeto ande. Alan fica responsável pelos desenhos, Breno cuida da comunicação. “Sou quase um analfabeto digital, nem meu Instagram eu sei usar direito”, aconselhou o artista.

A iniciativa começou há pouco menos de um mês. Um texto escrito por Breno rodou os grupos de WhatsApp dos amigos são-paulinos e chegou no Twitter. O post do profile “1930stuff” teve mais de mil curtidas e chegou na reportagem, que esteve no local para acompanhar o primeiro dia de trabalho da dupla.

Eles estimam que eles tenham chegado agora perto de R$ 1 mil. “Tem cara que tinha owe reais na conta e falou que ia mandar os owe reais e teve cara que falou que ia mandar R$ 200 para o negócio andar. Qualquer ajuda é bem-vinda. Se o cara quiser mandar 50 centavos, pode mandar “, diz Breno.

A ida aos do São Paulo fora do país visitando importante fé para que eles elaborem jogos como deixar o Morumbi mais com a cara do clube. A cidade de Rosário, na Argentina, por exemplo, é fortaleza pelas cores do Rosario Central e Newell’s Old Boys. Os muros pintados de azul e amarelo ou vermelho e preto claro como o clube próximo à região.

Grafite muro São Paulo Morumbi - Brunno Carvalho/UOL - Brunno Carvalho/UOL

Rascunho na parede ajuda Alan a projetar o grafite final no muro

Imagem: Bruno Carvalho/UOL

“outros lugares, o pessoal domina o entorno do estádio. O bairro do Morumbi é muito impessoal. Apesar de a gente amar as barraquinhas que têm aqui, elas são montadas na hora do jogo e vão embora. o espaço e o amor nosso tempo. Vai ser um aviso diário de que esse lugar é de São Paulo”, explicou Alan.

Mesmo sem os recursos, eles já começam a pensar nos próximos que serão feitos. Um dos muros será usado para recriar a bicicleta icônica de Leônidas da Silva, um dos maiores ídolos de São Paulo. Em outro, uma forte relação do clube com o Uruguai será retratada com o rosto de ex-atletas, como Darío Pereyra e Diego Lugano. Jogadores mais antigos, como Arthur Friedenreich, também serão lembrados. “Meu avô falava que ele era melhor ate que o Pelé”, gravou Alan.

A duplicata que o primeiro desenho seja concluído amanhã de manhã (15), horas antes da partida de São Paulo contra o Cuiabá, pelo Brasileirão. A esperança é que a pintura atrai a curiosidade dos torcedores e apoio para os projetos futuros.

Breno (à esquerda) e Alan (na escada) se ajudem no projeto para ativar a região do Morumbi com a cara do São Paulo - Brunno Carvalho/UOL - Brunno Carvalho/UOL

Breno (à esquerda) e Alan (na escada) se ajudam no projeto para deixar a região do Morumbi com a cara do São Paulo

Imagem: Bruno Carvalho/UOL

Pinto tudo, desde puteiro ate igreja

Alan grafite Morumbi - Brunno Carvalho/UOL - Brunno Carvalho/UOL

Alan Mozor graffiti profissionalmente desde 1995

Imagem: Bruno Carvalho/UOL

Alan Mozor grafita os muros da região do Morumbi por amor ao São Paulo, mas fora dali usa a arte também para ganhar a vida. Ele trabalha como trabalhairo desde 1995 e não tem afixado sobre locais ou tipos de trabalho “Faço bonde, como no We Weld Wild [parque aquático paulista], era um grande cliente. Do puteiro à igreja, eu pinto tudo”.

O primeiro contato com a arte começou no picho, ele diz. “É um protesto, um jeito de a periferia aparecer e dizer ‘eu existo'”. Na adolescência, percorria São Paulo com os amigos preenchendo os muros. Certa vez, quando desenhava em uma escola, foi chamado por um professor que o ensinou a grafitar. “Eu pirei. Ali foi a semente.”

Se tudo der certo no plano com Breno, Alan verá sua arte espalhada pelos arredores do Morumbi. Um feito especial para quem diz acompanhar os jogos do clube no estádio desde os 10 anos.

“Como são-paulino, isso aqui é um prazer. Eu sempre quis ocupar o Morumbi, é uma questão de identidade. E acho que também vai me dar um retorno profissional, porque cada trabalho que faço é uma repercussão. A ideia é o projeto torne um monstruoso.”

A imensidão de muros que cercam o Morumbi fará com que a dupla precisa de ajuda. Eles têm entrado em contato com os moradores da região para usarem o espaço, mas convidam quem mais quer chegar. “O muro é público, vem quem quer.”

Como toda exposição de arte, eles planejam a curadoria para o museu a céu aberto de São Paulo. A condição para os grafiteiros é clara: tem que ser são-paulino e bom com o spray na mão.

Isso é um trabalho bem elaborado. A gente vai fazer coisas mais simples também, mas tudo com qualidade. Não adianta fazer um tigre com dor de dente, ou o Mineiro vesgo. , explicou.

Os owe não descartam uma ajuda futura de São Paulo, caso o clube tenha, mas diga que o projeto comece a ser independente. “É dos torcedores. Pode vir ajudar quem quiser: torcedor, sócio-torcedor, clube, torcida organizada”.

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