‘SPFC me faz passar toda a raiva que fiz a torcida passar’, diz Jean

Não é muito comum um jogador em atividade, que fez com que uma pessoa seja sincera e que já tenha sido reconhecida diante do reiterado e admitir publicamente “passar por causa de suas falhas. Hoje aposentado, o ex-zagueiro Jean, 42 anos, não só mudou os seus erros como declarou que ele, mesmo, tem perdido a paciência para assistir o tempo atual do São Paulo em açao. No jogo de hoje (23), diante do Red Bull Bragantino, às 16h30, pela terceira rodada do Brasileiroela espera ficar na sanidade.

“Até hoje eu assisto a todos os jogos do São Paulo. Tenho passado muita raiva, eu eo meu pai, o seu João. Mas eu acho que toda a raiva que eu fiz o torcedor do São Paulo passar, os caras estão fazendo eu passar hoje . Puta que pariu, o meu pai também sofre demais. Quando toma o primeiro gol, ele já sobe, não fica na sala, vai para o quarto dele e não assiste mais”, disse aos risos o ex-defensor ao UOL Esportes.

Revelado pelo São Paulo no fim da década de 1990, na geração que ainda contava com Kaká, Júlio aptista, Fábio Simplício, entre ouros, Jean atu ou na equipe profissional do clube do Morumbi de 1999 a 2003 e conquistou muitos títulos — Paulistão (2000 ), Rio-São Paulo (2001) e Supercampeonato Paulista (2002). Ele, no entanto, sabe que não deixou saudades na torcida. Era alvo constante de críticas que vinham das arquibancadas.

“[Quero] desculpas para a torcida do São Paulo. Eu vou me dar nota 6. Mas por não ter dado um título de expressão naquela época nossa, uma geração que era muito boa, mas que acabou não sendo tão vitoriosa. Em nome dessa galera toda que passou, todos tiveram uma carreira brilhante fora de São Paulo: o [Fábio] Simplício jogou na Roma, Maldonado uma carreira linda, Júlio Baptista jogou no Real Madrid, Kaká do melhor mundo, Luiz Fabiano no Sevilla, Denílson… Todos que venceram o São Paulo tiveram uma carreira. Não era uma geração de jogadores fracos”, desabou.

Apesar de estar na bronca com o tempo atual, depois de lutar contra ou rebaixamento no Brasileirão de 2021 e ter perdido o título do Paulistão 2022 para o rival Palmeiras, Jean tem esperanças de dias melhores graça à parceria de Rogério Ceni e Muricy Ramalho. Mas, para ele, os voos mais altos ainda não serão na temporada atual.

“Quem viveu esse glorioso período de São Paulo [de 2006 a 2008] tem que estar no clube para mostrar esses novos jogadores que chegam à grandeza de São Paulo. O São Paulo perdeu a identidade Durante um bom tempo. Até pelas contratações. Eu falava e tinha uma impressão que as caras não têm a noção do que é o São Paulo, o tamanho de São Paulo”, para isso.

“Com o Rogério e com o Muricy Ramalho lá dentro, eu acho que isso é, mas difícil de acontecer porque eles passam o que é o São Paulo, dizem que é determinado jogador não cabe, que este tipo de trabalho não funciona. Isso pesa muito. Com eles permanecendo e a torcida dando voto de confiança para o Rogerio, vamos começar a voltar a nossa realidade. Não vai ser agora porque tem concorrentes que estão num patamar muito alto, Flamengo, Atlético-MG e Palmeiras. do Brasil”, completou.

Jean (dir.) e o volante Adriano (esq.) cercam o atacante Donizete em jogo do São Paulo contra o Vasco, no Morumbi, em 2003

Imagem: ALEX SILVA/ESTADÃO CONTEÚDO/AE

Confira outros trechos da entrevista com Jean:

Carreira vitoriosa como… gandula

“Decidi que eu queria ir pra São Paulo fazer um teste no São Paulo [Jean é natural de Feira de Santana-BA]. O São Paulo estava vivendo aquele momento de 92, 93, bicampeão da Libertadores, bi Mundial. Eu sempre fl são-paulino e eu queria de qualquer jeito jogar no São Paulo. Bati lá no Morumbi, pedi para fazer uma avaliação, aquele peneirão. Fui aprovado e fiquei dez anos no clube. No período em quefu gandula, o São Paulo estava super bem. Na final da Libertadores de 1994 [contra o Vélez Sarsfield-ARG], eu estava atrás do gol na disputa de pênaltis. O meu currículo como gandula é melhor do que como jogador. Foram vários vários brasileiros, Libertadores, Supercopa, Paulista… Ave Maria, o meu currículo é gigantesco como não gandula, ninguém tem. (risos)”

Primeiro tênis de marca graças a Zetti

“Uma vez, quando passei ao lado da arquibancada, um torcedor que estava com as filhas me pediu para pegar alguma coisa de algum jogador. O Zetti entrava [no campo] com boné e uma toalhinha. Eu toda vez que tinha jogo, eu pegava alguma coisa pega do Zetti ou de qualquer um e pedi um dinheiro. Conseguirá primeiro uma grana para comprar o meu tênis de marca, um da Mizuno. Era o tênis da moda na época. Eu comprei graças ao Zetti (risos).”

Alvo de ataques dos são paulinos

“Depois, aquele jogo contra o Corinthians, na final paulista de 2003. Passei quatro meses do jogo contra o Corinthians, na final paulista de 2003. Passei quatro meses do jogo contra o Campeonato Brasileiro. [perdido para o rival após derrota por 3 a 2], mas zagueiro não pode falhar em final. Hoje tinha pensado assim. As caras me xingavam em os jogos, qualquer um que falhasse a culpa era minha. O Kaká não jogou uma final porque estava machucado, mas a torcida não acreditau e vaiou eu acredito e o Oswaldo de Oliveira, que era o treinador. Pegaram a gente para Cristo.”

Redenção contra o proprio Corinthians

Tinha muita noção o que eles fizeram no São Paulo, que foram também sonhos de jogos, um jogo com o Corinthians do São Paulo. pegando no meu pé Eu lembro que, em 91, se não me engano, o [ex-zagueiro] Antônio Carlos fez um gol de cabeça e foi correr para o símbolo de São Paulo para comemorar, ou o símbolo. Eu tinha um sonho de fazer aquilo ali, e contra o Corinthians eu fiz o gol da vitória [por 2 a 1, pelo Brasileirão de 2003] Fugi para lá no símbolo e beijei o símbolo de São Paulo. A coisa acalmou um pouco, mas os caras arrancavam o meu coro.”

Defensor ou grande rival em 2009

“Joguei a base inteira contra o Corinthians. Não que você seja educado a não gostar do Corinthians, é que é natural você odiar o seu rival. Eu tinha muita raiva do Corinthians, ainda mais que a gente tinha perdido grandes jogos. No dia em que eu entrei no Parque São Jorge para assinar o meu contrato, foi uma das piores sensações da minha vida. clube, você passa a admirar. um negócio absurdo. A gente ganhou o Paulista de 2009 [e a Copa do Brasil], tenha a oportunidade de jogar com Ronaldo Fenômeno, fé uma experiência maravilhosa. Foi bom conhecer o inimigo, como entranhas do inimigo, como trincheiras. Respeito muito o Corinthians, mas tenho um amor imenso pelo São Paulo, é o clube que eu sou apaixonado.”

Sofreu racismo na Rússia

“Quando eu cheguei na Rússia [em 2003, para defender Saturn] era muito forte essa coisa de racismo. Se eu fizer um livro do que passei na Rússia, é um best-seller. comecei a namorar uma russa que, inclusive, eu casei e tive um filho com ela. Depois nossos divorciamos. Passei muita coisa. Os torcedores no estádio imitando macaco o tempo inteiro, segurança dentro de supermercado me seguia. Eu com o carrinho de compra, e ele me seguia. Chegava no restaurante vazio, o gerente falava que o restaurante estava todo reservado, táxi que não parava porque via que era negro. No total, eu fiquei cinco anos na Rússia. Dois no Saturn, um no Dínamo Moscow e depois Rubin Kazan e FC Moscow.”

Mas tem carinho pela Russia

“A Rússia é um país maravilhoso, uma culinária top. É um povo difícil, mas desde que você ouviu uma cultura deles você passou a gostar. Tem esse imbecil do [presidente Vladimir] Putim, mas é um povo bom. Eu gostei muito de ter feito na Rússia, fé uma experiência fantástica para mim.”

Guerra entre Rússia e Ucrânia

“Nunca estive na Ucrânia, mas eu falo com alguns amigos russos e brasileiros que vivem na Rússia. Putim. Você sabe que é um governo autoritário, vindo da antiga União Soviética. Eles vendem [a história] como a Ucrânia querendo apenas o problema, e eles são os santinhos, que estão lá se tentando resolver, tentando combater o nazismo. Finalmente, os russos vão acreditando. O Putim tem uma qualidade muito grande lá.”

Leave a Reply

Your email address will not be published.