Revê a história do jogo do bicho e ligações com milicias no Rio series

João Batista, mais público de sua propriedade ao Jardim Zoológico, Viana Drummond de Drummond vinculou um prêmio ao bilhete de entrada sorteado diariamente. Era a última década do século 19 e nascia o embrião do que ficou conhecido como o jogo do bicho. O sorteio fez tanto sucesso que em pouco tempo já era possível comprar o bilhete no centro da cidade, junto do Zoológico, no bairro de Vila Isabel. O importante era disputar o premio, não visitar o local.

Esse jogo simples, fácil de apostar e acessível a todos, se tornou extremamente popular e, em pouco tempo, ilegal. Ao virar contravenção, ajudou a alimentar a corrupção policial. Desde sempre, a “caixinha” do bicho melhorou a vida de muita gente, observe o documentário “Lei da Selva: a história do jogo do bicho”, de Pedro Asbeg, que estreia nesta sexta-feira (29) no Canal Brasil e no Globoplay + canais ao vivo.

Com diferentes cerca de depoimentos, de historiadores, sociólogos, jornalistas de história e funcionários40, embalados por uma fartura de imagens histories, o programa em quatro conjuntos reconstitui em detalhes de 130 anos de 130 anos de sociólogos no Rio.

Jogo do bicho - Reprodução - Reprodução

Representações de animais em uma das primeiras versões do jogo do bicho

Imagem: Reprodução

Mostra o impacto da associação de Castor de Andrade com um mafioso italiano na década de 1950, as primeiras disputas por territórios, nos anos 1960, a simbiose dos bicheiros com a ditadura militar e o papel de policiais violentos do chamado “esquadrão da morte” na proteção dos líderes da contravenção.

Outro capítulo essencial desta história, com roteiro de Arthur Muhlenberg e Tiago Peregrino, é a percepção de que o investimento dos bicheiros no Carnaval ajuda, e muito, ao que o jornalista Octavio Guedes chama de “lavagem de imagem”. Em 1975, em Beija Flor desfila saudando “o grande decênio”, falando de PIS-Pasep e Funrural. Os bicheiros se tornam figuras pop, aparecem como personagens de novelas. São Patrões das Escolas de samba e tempos de futebol americano.

Ao criarem a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), em 1985, alcançam o status de figuras respeitáveis. Encontram-se abertamente com políticos, participando de debates na Globo e o então governador Leonel Brizola o Sambódromo. “É como o Maracanã para o futebol”, explicou Darcy Ribeiro. Os bicheiros “conquistam uma cidadania social”, observou o jornalista Leandro Demori.

Castor de Andrade - Itamar Miranda/Estadão Conteúdo - Itamar Miranda/Estadão Conteúdo

Castor de Andrade (centro) dentro da viatura da Polícia Civil, após ser preso em 1994

Imagem: Itamar Miranda/Estadão Conteúdo

E assim a partir da década de 1990 que o vínculo do jogo do bicho com diferentes atividades criminosas começa a ficar mais claro. Uma investigação do Ministério Público do Rio e os atos de uma juíza levam, Denise Frossard os banqueiros à prisão pela primeira vez. Uma nova geração, mais violenta, começa a atuar. Máquinas caça-níqueis se mostram mais rentáveis ​​que o próprio jogo do bicho.

Disputas territoriais, guerras internato entre familiares, queimaduras de arquivo. A partir da década de 190, são vários os momentos em que o noticiário é ocupado por cenas de violência que expõem, claramente, a falta de limites dos líderes dos negócios. Um dos casos mas famosos ocorreu em 2010, quando uma bombau soluço o assento de um carro onde estavam Rogério Andrade e seu filho, de 17 anos, que morreu.

É neste ponto que a Series por Pedro Asbeg dá o seu passo mais ousado, ao associar os bicheiros às milícias que começa a atuar na zona oeste da cidade, da área conhecida como Rio das Pedras. Os contraventores querem instalar máquinas por toda parte, inclusive em áreas controladas por milicianos. É aí que fazem um acordo. Como diz a promotora da Justiça Simone Sibilio, “um arrenda a área, o outro paga um percentual; ninguém mexe com ninguém”.

As ligações com a milícia se expressam em outras conexões, mostra uma série documental O filho de um bicheiro contrata o ex-policial Adriano da Nóbrega para fazer a sua segurança. Um outro arregimenta o ex-policial Ronnie Lessa para o seu tempo. Nóbrega, como se sabe, foi homenageado em 2005 por Flavio Bolsonaro a pedido de seu pai, Jair Bolsonaroque considerava o então police um heroi. Lessa, condomínio apontado pela polícia como responsável pela morte vereadora Marielle Franco, morava no mesmo presidente.

“A certa altura, nos anos 2000, ninguém mais sabia onde acaba o jogo e onde começa a milícia”, diz o documentário, narrado por Marcelo Adnet. O que era namoro, vira casamento. “Os negócios paralelamente e vão se cruzar”, afirma o jornalista Bruno Paes Manso.

Asbeg, diretor também de “Democracia em Preto e Branco” e “Larica Total, 10 Anos Depois”, entre outros filmesplanejava fazer um documentário sobre o jogo do bicho 2015. Seu primeiro projeto era de uma longa-metragem sobre lavagem de dinheiro dos bicheiros realizado por meio de negócios com cavalos de raça.

O projeto não andou e Asbeg, então, numa serie sobre o bicheiro Castor de Andrade, mas logo descobriu que um projeto semelhante estava sendo desenvolvido sem Globoplay. O Canal Brasil o estimula a outro assunto, o que amplia e amplia os seus horizontes então a este “Lei da Seidade”

Assim nasceu “Lei da Selva: a história do jogo do bicho”. “Ninguém sabe o bicho que vai dar amanhã. O que todo mundo sabe é que só vale o escrito e que o futuro do jogo que o barão inventau vai continuar sendo escrito com sangue”, narrou Adnet.

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