Opinião: Do ​​canto ao fundo, a certeza de que a Lusa não vai acabar | Português

UMA Português você ainda está jogando? Jogar um campeonato? Em que divisão você está? O clube ainda existe? Canindé não vai ser demolido, não é? Talvez você, que está começando a ler este texto, já tenha perguntado algo semelhante a um português.

Se ele fez isso porque realmente não sabia e estava curioso, ou porque queria provocar e tirar sarro, saiba que a reação foi a mesma. Só as dificuldades que a Lusa enfrentou nos últimos anos magoaram ou irritaram mais os adeptos do que estas questões.

Você perguntou quem, desde 2013, viu o clube passar da primeira divisão doméstica pelas séries B, C e D, até ficar livre de divisões. Que desde 2015 deixou de jogar clássicos contra Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos por fazer parte da série A2 do Paulistão.

Quem viu a Portuguesa desaparecer aos poucos do placar ligando rádios de futebol, reportagens de TV na hora do almoço, páginas de vários portais esportivos na Internet. Quase pior do que morrer é ser esquecido.

Como eu vi o clube lutando para pagar água e luz, com risco de cair para a terceira divisão estadual, com times divididos por atrasos salariais, o estádio do Canindé interditado e gestores esvaziando os estádios cobrando R$ 100,00 por ingresso, os torcedores resistiu. .

Se você realmente deveria fazer essas perguntas, por mais infelizes que sejam, pelo menos uma coisa você acertou: a quem perguntar. Afinal, se a Lusa ainda está jogando, ainda disputando o campeonato, ainda Canindé, ainda existe, é graças aos torcedores.

Uma multidão que encolheu, mas não saiu da cerca. Ele sofreu, chorou, sucumbiu, mas resistiu, lutou, protestou. Ele impediu que administradores – para dizer o mínimo incompetentes – acabassem com o clube. Sem eles e eles, não teria havido este sábado.

Como seria bom se você, que perguntou se a Portuguesa ainda existia, estivesse em Canindé neste final de semana. Os torcedores, que durante anos lutaram bravamente para que o clube voltasse ao seu devido lugar, ocuparam tudo a que tinham direito no estádio.

Torcedores portugueses compareceram em grande número ao Canindé — Foto: Cristiano Fukuyama / Portuguesa

Dos 13.000 assentos vagos pelas autoridades na arquibancada, 12.968 foram coloridos em verde e vermelho. Metade do primeiro tempo estava rolando e as pessoas ainda estavam chegando. A Polícia Militar ainda teve que dar mais espaço para a multidão gritar.

Sim, porque não havia setor que cantava e setor que silenciava. Foram 90 minutos de apoio ilimitado e incondicional. A torcida cantava a cada ataque, vibrava a cada bola tirada da defesa, rangia a cada apito duvidoso do árbitro.

Todos sabiam da importância deste jogo. Após sete anos de Série A2, com duas eliminações nas quartas de final, não haveria mais chance. Tanto que até quem esteve longe do estádio ultimamente resolveu dar outra chance.

A melhor campanha da primeira fase da série A2, com o melhor ataque e a melhor defesa, eliminando o Primavera nas quartas de final com duas vitórias por 1 a 0, tendo que decidir a vaga no Canindé já com uma vantagem de 1 a 0 sobre o Rio Clara.

Olhar em volta era encontrar senhores cujos corações foram conquistados pelas vitórias de Julinho, Renato, Nininho, Pinga e Simão. Era ver ao lado deles a companhia de crianças que cresceram com Badeco, Basílio, Xaxá, Cabinho, Wilsinho e Enéas.

Era também ver a geração que viveu a inesquecível década de 1990 inaugurada por Tico, Dener, Sinval e Pereira. E jovens que, já em plena crise do clube, viram um lampejo de grandeza e orgulho no notável e avassalador BarceLusa.

Mas o tempo não perdoa e há crianças, adolescentes, que, quando começaram a ir aos estádios, já não viam a Lusa a defrontar equipas populares na TV, nas redes sociais, nos jogos. Afinal, sete longos anos se passaram desde os campeonatos de elite.

Uma nova geração de torcedores começa a se formar nas arquibancadas — Foto: Cristiano Fukuyama / Portuguesa

Nunca nestes sete anos a Portuguesa esteve tão perto de um regresso. O gol de Gustavo França no primeiro tempo abalou o estádio. O gol de empate no segundo tempo, de Bruno Moraes, certamente alimentou o trauma de quem lotou o Canindé.

Mas não havia tempo para isso. O 1 em 1 foi a Lusa. Antes do último apito, a festa tomou conta. Quem tem coração, chorou. E tudo o que havia era do coração. Se houvesse uma razão, essa multidão já havia desistido. Que lágrimas de alívio!

Senhores e senhoras, pais e mães, filhos e filhas, netos e netas. Gerações que viram muito, gerações que viram pouco. Gerações que encontram nestas cores a razão de viver, de lutar, de sorrir, de sonhar. Gerações que construíram e reconstruíram o clube.

Lá, em casa, no Canindé. Nesta tribuna, onde o cimento se mistura com o suor e as lágrimas da geração que o ergueu, mais suor e mais lágrimas caíram de uma nova geração que anseia reconstruir um vencedor português.

“No tatame me derrubou e no gramado eu vou voltar”. O grito de encorajamento que se transformou em oração. A música que o Leões da Fabulosa lançou no início do colapso. Que muitos não acreditavam era uma utopia. Para os portugueses, era uma esperança heróica.

Em voz alta, com o elenco cantando no gramado e com o técnico Sérgio Soares pendurado na cerca como uma criança, toda essa gente gritava “Lusa não vai acabar”. E um último grito, que veio do coração: “nunca”!

“No tatame me derrubou, e em campo eu vou voltar” foi o canto da torcida nas arquibancadas — Foto: Cristiano Fukuyama / Portuguesa

A Lusa está de volta à elite do Campeonato Paulista. Este é o primeiro passo. O primeiro grande passo. Se você, que não sabia se o clube ainda existia, quer ver para acreditar, ainda haverá dois jogos na final. contra São Bento. Saída de Sorocaba, retorno a Canindé.

Venha sentar no concreto se houver espaço. Venha ficar em cima do muro, sinta como é fazer parte de uma equipe. Venha conhecer a torcida que nunca para, não para aparecer no vídeo, mas porque o clube depende disso. Venha ver o regresso dos portugueses.

Ouça o grito lusitano, há tanto tempo preso na garganta. Para assistir aos abraços, que muitos não conseguiram dar na vida, a quem não viu a sua Lusa regressar. Entenda que por essa história, por esse amor, por essa torcida, a Portuguesa não vai acabar. Nunca!

* Luiz Nascimento, 29 anos, é radialista da CBN, documentarista do Acervo da Bola e escreve sobre português há 13 anos, a maior parte na idade. As opiniões contidas neste documento não refletem necessariamente as do site.

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