O primo Abel: rotina com pai em futebol amador treinadores a estourar no Palmeiras palmeirense

Abel Ferreira não é o único técnico de futebol na sua família. Arlindo Gomes, um de seus primos, hoje é professor na escola em que o técnico do Palmeiras estudou quando morava em Penafiel e comanda também o Rebordosa Atlético Clube, time que briga para chegar ao equivalente a quarta divisão portuguesa.

Antigo vizinho de Abel na cidade ao norte de Portugal, Arlindo é cinco mais velho e também teve uma passagem pela base de Penafiel, mas acabou dando preferência aos estudos e foco na faculdade de Educação Física em Vila Real, outra cidade portuguesa. Ele começou o trabalho com comissões técnicas já em 1995 e trocava informações com o então direito lateral, que sempre se mostrou interessado com a preparação do jogo.

– começou a viver (auxiliar) em 1995. Ele continua em Penafiel e quando eu vinha no fim de semana juntos e ele partilhava como percebendo em que alguns treinadores tinham atitudes determinadas. E eu já como adjunto dava a perspective do outro lado – contorno o primo, ao idade.

Arlindo Gomes, primeiro de Abel Ferreira — Foto: Thiago Ferri

Depois de se aposentar precocemente no Sporting aos 33 anos por conta de uma lesão no joelho, Abel começou a aprender o sub-19 do tempo de Lisboa. Embora tenha conquistado o título nacional logo na primeira temporada, em 2012, acabou meio devendo anos depois da equipe B, que joga a segunda divisão no país.

A saída não foi necessária para ir à elite de Portugal e ate outras vezes na Europa, Abel ouviu que precisava de mais tempo de preparação. E ate acertar com uma nova equipe, decida acompanhar o primo em sua rotina no futebol amador. Arlindo era treinador do Cinfães, que fica a cerca de 40 km de Penafiel.

Penafiel, a cidade de Abel Ferreira

– Para ele, experiência vale muito. O Abel queria viver outras realidades, porque estava na segunda divisão em Portugal, profissional, e eu treinava o Cinfães no amador, digamos assim. Ele acabou indo para saber o que era aquela realidade. Conseguimos estar em algum tempo juntos, uma viagem de 40 km, 50 km. Ele ia comigo diário para perceber a realidade profissional, alguém que já estava no futebol no Sporting decide ir a Cinfães em um clube não-profissional para tentar fazer o download do que poderia ser positivo. Não queria saber só o que era uma elite, queria saber tudo – recordou.

Foram cerca de seis semanas nesta rotina, e no início de 2015 Abel acertou com o tempo B do Braga. Já no novo clube, o atual treinador do Verdão manteve contato com o primo para trocar experiências.

Abel Ferreira no Braga em 2017 — Foto: BURAK AKBULUT / Agência Anadolu via AFP

– Ele foi para observar, partilhava comigo a perspectiva dele, principalmente quando estava também em Braga, sobre o que achávamos em função das nossas realidades. Era cerca de 1h de viagem, era tempo para compartilhar o que correu bem, o que não correu e onde melhorar. Sempre a escolha de maneira aberta, porque nessa podia mais conhecimento e competência.

Após o trabalho no time B, Abel foi promovido à main team do Braga e começou a chamar a atenção. Um profissional não, embora relativamente curto, já se mostrou bem sucedido com os cinco títulos em um ano e meio de Palmeiras.

Para o primo, o sucesso “precoce” só mostra o valor do comandante palmeirense, que já ganhou no Brasil a Libertadores (duas vezes), Copa do Brasil, Paulistão e Recopa Sul-Americana.

– Dizem que o Abel é motivador, faz leitura de jogo. Mas foi competência de sua persistência para atingir algo. Che de orgulho ver sucesso, a família penafidelenses estamos muito o sucesso e o sucesso, ate leva o nome da cidade, toda a região. Não é um feito assim tão fácil – encerrou.

— Foto: Reprodução

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