“Na minha cabeça, ele iria morrer de velhice”

A apresentadora brasileira, há exatos 28 anos, a apresentadora de um acidente fatal no GP, há exatos 28 anos

Ainda hoje, Ayrton Senna é considerado um dos maiores esportistas brasileiros de todos os tempos. É praticamente impossível encontrar alguém que viu Senna Disputar a categoria principal do automobilismo mundial e não se encantar com suas ultrapassagens ousadas.

Uma importância de Airton se torna muito maior visto o contexto que a sociedade brasileira se viu na época. Recém-saídos de uma ditadura militar que arontou o país por mais duas décadas, buscavam uma figura que pudesse simbolizar toda uma nação que tentou redescobrir sua identidade.

Senna preenche essa lacuna. Embora o futebol sempre foi a maior paixão nacional, o sucesso da Seleção brasileira, que viveu um jejum de 24 anos desde o tricampeonato mundial no México, em 1970, escancarou ainda mais a busca por um ídolo. Como de costume, o piloto ocupa essa posição mais alta do pódio.

O piloto brasileiro Ayrton Senna/ Crédito: Getty Images

Mas tudo mudou naquele 1º de maio de 1994. Após o tricampeonato pela McLaren nas temporadas de 1988, 1990 e 1991, Senna Va lutar por mais um título da Fórmula 1, e via no Grande Prêmio de Ímola a chance perfeita de voltar a vencer, desta vez realizando seu sonho ao confirmar um carro da Williams. nunca vi bandeira quadriculada novamente.

O final de semana mas triste da história da Fórmula 1

Airton faleceu no domingo, dia 1º de maio de 1994. Mas um presságio da tragédia parecia rondar o circuito de Ímola bem antes. Logo na sexta-feira, durante uma sessão de qualificação da tarde, Rubens Barrichelloainda em seu segundo ano na categoria, sofreu um acidente impressionante.

“Foi um final de semana caótico. Não foi só a corrida que foi caótica, foi todo o final de semana, que não começou a treinar quando o Rubinho bateu feio. O Rubinho era o menino dos olhos do Ayrton. Então, aquela batida do Rubinho mexeu profundamente com ele, e comigo também”, recorda a presentadora Adriane Galisteu em entrevista exclusiva ao Aventuras na História realizada em 1º de maio de 2020, quando a morte de Senna completou 27 anos.

Na época do acidente, os owe namoravam há cerca de um ano e meio. “Se você olhar o acidente, acho que o do Rubinho é ainda mais feio que a batida do próprio Airton. E o Rubinho acabou indo para o hospital, deu uma baita confusão”, recorda.

Ayrton Senna e Adriane Galisteu na piscina/ Crédito: Divulgação/Revista Caras

Enquanto isso, foi o único momento de tensão daquele Grande Prêmio. O clima ficou ainda pior no dia seguinte. Durante os treinos livros, austríaco Roland Ratzenbergerque corria pela Simtek, bateu violentamente na curvatura Villeneuve.

Na volta anterior, Ratzenberger a danificada como a anterior de seu carro e, posteriormente, a mesma se soltou ou fazendo perder o controle da Simtek — o que o fez violentamente em um muro.

Segundo Grande Prêmio, o impacto não atingiu o piloto de fratura craniana basal, que foi levado às pressões até o Hospital Maggiore de Bolonha. Porém, oito minutos depois veio a notícia: ele estava morto.

“O treino também teve o acidente do Ratzenberger, que acabou falecendo na pista. E como regra, isso é uma questão muito polêmica da época, morreu na pista, tem mais corrida”, aponta Galisteuque grava que diversas vezes se especula se o austríaco realmente tinha apenas no hospital ou logo após o acidente, ainda dentro do circuito.

O fato é que o Ratzenberger, todo mundo que estava em volta, disse que ele não morreu no hospital, que ele ali na pista. Então isso já ficou meio engasgado para o Airtonele já estava tenso com essa questão do Rubinho e ficou ainda mas com o Ratzenberger”, apontou.

O perigo na largada

A perda uma enorme repercussão entre os pilotos realizados não teve grande repercussão naquele domingo, 1º de maio. A situação ficou mas dramática após, logo na largada, a Benetton de JJ Lehto não saiu do lugar e o piloto Pedro Lamy, da Lotus, o atingiu em cheio na traseira. O impacto fez com que um pneu se soltasse, atravessasse a cerca que protegia a faixa e atingisse 4 espectadores, conforme reportagem da Folha de S. Paulo.

“No dia da corrida, no fatídico domingo, ainda teve na largada uma batida muito feia do Pedro Lamy, um piloto português, que bateu feio cara logo. Então, aquela vibe final de semana estava estranha. O Airton estava tenso”, relembra a apresentadora.

Galisteu recorda que, momentos antes do início da corrida, a imagem de Airton com a mão no aerofólio de seu carro rodou o mundo. Muitos chegaram a dizer, depois do acidente fatal, que ele tivesse previsto uma própria mortealgo que Adriana discorda: “Eu acho que ele estava pensando se ele correria ou não”.

Ela recorda, que antes desta cena, chegou a conversar com o piloto sobre a possibilidade de abandonar a prova. “Eu falei pra ele no telefone: ‘Airton, só tem uma pessoa que pode acabar com essa corrida, que é você. Você pode, simplesmente, ter uma dor de barriga, estar indisposto’… “.

Senna em sua McLaren/ Crédito: Wikimedia Commons

Mas ela nunca vai mentir. Imagina, ele sempre faria isso, mas eu tento. Eu pensei que provavelmente eu não acordaria e pensaria: eu não estou com uma boa sensação, porque a gente estava comentando e essa ruim vibe aquele final de semana”, explicou.

No entanto, o ídolo tinha uma preocupação ainda maior. O Grande Prêmio de Ímola era apenas o terceiro circuito do ano da Fórmula 1, mas Senna Já o via como essencial, visto que nas outras duas provas acabou como abandonando antes do fim.

“Ele falou pra mim: ‘Mas se eu não corro, eu não pontuar. Desde a primeira corrida, eu ainda não consegui terminar nenhuma e isso é meu sonho. Eu pontuar, senão eu não conseguirei ser campeão no final do ano’”, diz sobre a precisão das expectativas de Senna para aquela temporada.

Adriana diga isso Airton, inclusive, tinha uma tabela com avaliação de quantos pontos ele precisaria fazer por corrida para alcançar o tetracampeonato. “Ele sempre iria encontrar uma justificativa para correr. Esse era o grande sonho da vida dele”.

Ó ácido fatal

O acidente com lamy fez com que o safety-car ficasse na pista até o final da quarta volta. Na sexta volta, Sennaque havia conquistado a pole ou o líder da prova, havia o melhor tempo da corrida.

No início da volta, entretanto, ele perdeu o controle do carro, seguido de um muro reto e violento, Tamburello. O impacto fé tão forte que o carro de Senna rodou e quase retornou para a pista.

“Quando eu vi a corrida ele bateu o carro, eu chamei a televisão imediatamente e tomei. Pense: ‘ah, que bom. Ele vai chegar mais cedo em casa’”, diz a apresentadora sobre como o acidente ocorreu em um primeiro momento.

“Eu estava tão acostumada a ver aquilo que aconteceu que se tornou uma rotina que não me machucava mais. Não era uma coisa que me surpreendia tanto. e sair”, recorda.

Eu já tinha visto batidas muito feias, a própria do Rubinho. Na minha cabeça, ele iria morrer de velhice. Ele não ia morrer fazendo aquilo que ele mais gostava de fazer. Então eu não dei a menor bola para aquele acidente”, conta.

Na ocasião, Adriana estava na casa de Airton, no Algarve, em Portugal. Desde entre nenhum banho, Galisteu Recorda que a mulher que atendeu na porta do banheiro a casa desesperadamente. “Eu achei que ela tinha mordida pelo cachorro”.

Depois de abrir a porta, ela pediu para que a apresentadora ligasse a televisão, pois Airton havia se machucado. “Quando eu vi aquela cena, voltando e voltando, eu falei: ‘juramento, que era o nome dela, eu acho que ele trincou a perna. Porque tá muito parado essa perna. Eu acho que ele desmaiou’”, disse gravando da cena em que a cabeça de Airton pendurar para um lado.

A Curva Tamburello, onde Senna bateu em 1994/ Crédito: Wikimedia Commons

De longa, uma câmera de TV flagrou Senna mexendo levemente na cabeça. Naquela altura, o mundo todo respirava aliviado imaginando que aquilo seria um sinal de que estava tudo bem com o brasileiro. Mas enganados. O movimento foi causado por um profundo dano cerebral, conforme explica o Jornal do Brasil.

Eu tente encontrar todas as desculpas que você pode imaginar. Na minha cabeça não passou a morte em hipótese alguma. Isso, pra mim, era inconcebível”, aponta Adriana.

Uma notícia triste

Até aquele momento, o mundo não sabia sobre uma condição real de Airton. A apresentadora recorda que, em um determinado momento, Antonio Carlos de Almeida Bragaempregador e melhor amigo de Sennachamado para sua esposa, Luizapedido para que ela buscasse Adriana Não. Algarve.

“Enquanto eu estava nesse processo, um Luiza Já tinha ido para o Algarve de avião e de lá, acho que os nossos encontraríamos o que devemos [Ayrton e o Braga] em Bolonha, na Itália”, diz.” Então eu fiz a minha mala e separei algumas roupas do Airton, como ou pijama dele. Na minha cabeça, ele iria ficar alguns dias no hospital. Ele iria ficar internado por alguns dias”.

Ao chegarem no aeroporto, quando estavam próximos a decolar, a torre de comunicação entro em contato com o avião em que ela e Luiza estavam. “Parecia cena de filme”, aponta, dizendo que o piloto lhe informou que havia uma ligação para ela esperar num ponto determinado do aeroporto.

Adriane revelou que pensou que do outro lado da linhaia com Airton, pedido para as duas o esperarem em Portugal. “Eu do avião, eu estava normal. E me lembro de todo mundo me olhar com os olhos meio esbugalhados, meio assustados…”.

“Até aquele momento, a notícia da morte do Airton não tinha saído em nenhum lugar”, recorda. “Eu atendo o telefone. Era o Braga. Ela me diz: ‘olha, não adianta vir pra cá. Vocês vão para minha casa em Sintra’. Fé quando eu o questionei. ‘Tem mil pessoas se acotovelando na porta do hospital, não vai funcionar vocês virem para cá’”, respondeu o fiel companheiro de Airton.

Socorrendo resgate equipe Ayrton/Crédito: Getty Images

“Mas me diz como ele está. Eo Braga respondeu: ‘Ele está morto’. Fé aí que eu tomei um choque muito grande. Até então, eu achava que esse tumulto de gente era por ele, mas não por… Quando ele então falou, eu lembro que na mesma hora um silêncio na minha cabeça. Eu não sabia mais para onde eu ia, onde eu estava. Eu estava em câmera lenta”, recorda. “Essas três horas seguidas, eu não me lembro de quase nada. Aquilo me deu um choque tão grande”.

Quando chegou em Sintra, Adriana conta o que lhe fez cair tem sóbrio arquivo perdeu de Senna. “A primeira coisa que eu fiz quando cheguei em casa ficar vendo esse acidente aconteceu, ate me concordou que aquela cabeça que eu pensava que era um desmaio, não era um desmaio”.


Relacionado a uma entrevista completa de Adriane Galisteu com a equipe do Aventuras na História:


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