‘Hoje, Senna seria punido’, diz Mansell sóbrio GP de Mônaco de 1992

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Faltavam oito voltas para o final da corrida e Nigel Mansell desfilava feliz e contente com quase 30 segundos de vantagem para o segundo colocado, Ayrton Senna. Seria sua primeira vitória em Mônaco, a sexta consecutiva nas primeiras etapas do Mundial de 1992. O record anterior já tinha caído. Senna, um ano antes, ganhando as quatro primeiras. Mas aquela temporada como definições de discos seriam atualizadas, como se diria hoje: Nigel já havia vencido na África do Sul, no México, no Brasil, na Espanha e em Ímola.

Na McLaren, campeã nos quatro anos anteriores, já não era mais a mesma. Faz a sua despedida da Honda, a serem lançadas a Senna e a Prost de forma a serem lançadas então. Em 1988, tem equipe vencedora de 15 das 16 corridas do ano.

Mas o jogo começou a virar da segunda metade de 1991, quando a Williams finalmente parou de construir e seus mirabolantes equipamentos eletrônicos, em especial o sistema de suspensão ativa que mantinha seus carros a uma constante do chão, fizeram com que foum descrito como “de outro planeta” pelo piloto brasileiro.

Senna não chance nenhuma contra o FW14B, nome-código do Williams para 1992. Sabia que só conseguiria vencer alguma coisa se Mansell e seu companheiro Riccardo Patrese tinha algum problema que lhe permitisse, de vez em quando chegar na frente. Aquele GP de Mônaco repete o roteiro das cinco primeiras provas da temporada.

Mas Mansell na pequena coisa estranha na entrada do 70ª das voltas do GP do Principado 70ª das voltas do Principado Ficou lento e foi para as caixas. Na McLaren, de imediato, avisou Ayrton pelo rádio.

“Eu estava passando pela piscina”, contorno o tricampeão a este relatório e outros que estavam em Mônaco naquele domingo, 31 de maio de 1992. “Aí falei: agora é tudo ou nada. Tenho de passar antes que ele saia das caixas. Se isso acontecer, eu ganho a corrida.”

Onde você viu o momento da fita em uma quadriculada gravada gravada na retina de milhares de pessoas espalhadas pelas arquibancadas e varanda dos prédios longo do prédio, e de milhões de telespectadores que acompanhavam a corrida pela TV. Senna lá estava voltando para as caixas e viu que ainda estava. “Agora, mesmo que ele saia, eu vou vir tão embalado que não vai ter jeito de me segurar. Ou, então, vai ser uma tremenda de uma porrada.”

Mansell trocou os pneus e voltou à track sete segundos atrás do carro vermelho e branco. Faltando três voltas para o final, a diferença já tinha virado pó. Alucinado, o britânico embutiu na caixa de câmbio de Senna. Em qualquer outro lugar do planeta, passaria por cima do brasileiro.

Mas era Mônaco. Em Mônaco, as coisas são diferentes.

Ayrton tinha menos de 10 km para vencer pela primeira vez no ano, a quinta nas ruas da cidade-estado onde morava. Na hora, se lembrou de 1988. Naquele ano, liderava a prova com 40 segundos de vantagem sobre Prost quando bateu sozinho na entrada do túnel a 12 voltas do final. “Aquele acidente mudou minha vida”, disse. “Fé essencial para ganhar o título, porque todos aprenderam a se concentrar numa corrida.”

Mansell não passou. Senna pilotou naquelas três voltas como se não existia atrás dele. Não se atrapalhou em nenhuma freada, não um pneu, não errou uma marcha, e nos raríssimos pontos em que uma ultrapassagem seria possível posicionando seu carro no meio da pista o inglês à loucura. Recebeu a bandeirada 0s215 a frente da Williams do “Leão”, como Nigel era chamado.

GP do Mônaco 1992: Ayrton Senna e Nigel Mansell disputam Vitória - Getty Images - Getty Images
Imagem: Getty Images

Trinta anos depois, Mansell deu uma bela entrevista ao jornalista Tom Clarkson para o programa “Beyond the grid”, o podcast oficial da F-1. A íntegra da conversa pode ser ouvida aqui.

As lembranças do histórico GP de Mônaco de 1992 começaram aos 16min23 da gravação. E Nigel uma história que leva a uma reflexão interessante, especialmente para aqueles que se interessam por um companheiro-1 mais recentemente, os “filhos chamados fãs mais veteranos da categoria aqueles que começaram a se interessar por um companheiro de corrida” deve participar das temporadas de “Drive to survival”.

Pelas regras de hoje, Ayrton não pode me segurar como fez. Cada vez que eu fiz [passar], me bloqueou. Ele não pode fazer isso hoje.”

Mansell diz que se orgulha muito de não ter enchido a traseira de Senna naquelas derradeiras e encantadas três voltas pelas ruas de Monte Carlo.

Sou um esportista. Mostrei que dá para andar muito perto de outro carro em Mônaco sem bater. Me sinto honrado por não ter feito isso.”

Ayrton depois da corrida, Ayrton o que aconteceu a vitória só veio depois de parar os pneus. “A gente tem de ser realista. Em condições normais, ele ganha essa corrida. Depois que ele saiu uma alucinação das caixas, veio que nem dou pra cima de mim. O carro dele é muito mais rápido. . Só que eu lutei muito. Nunca.” corro para chegar em segundo, e quando aquela chance nas mãos não ia largar de jeito nenhum.”

Nigel, ao seu lado, disse que fez de tudo para passar, mas que o carro do brasileiro de repente ficou “largo demais”. No podcast, dizem que Senna fez alguns “testes de freio” naquelas voltas. “Ayrton era muito bom nesse tipo de trick”, disse, sem rancor nenhum na voz.

Lembre-se que, naquele domingo, chegou à sala de rosto esgotado, suando, o pequeno toalha nas mãos e um boné mal-ajambrado sobre a cabeça. Depois de seu troféu, teve que se recuperar para recuperar o fôlego.

Senna e Mansell no pódio do GP de Mônaco de 1992 - Pascal J Le Segretain/Sygma via Getty Images - Pascal J Le Segretain/Sygma via Getty Images
Imagem: Pascal J Le Segretain/Sygma via Getty Images

Mansell não era, mas nenhum garoto. Três vezes vice-campeão (em 1986, 1987 e 1991), perto de completar 39 anos, eava desacreditado em seu país e começara aquele campeão escondendo de todo o time como golden quase insuportáveis ​​que sentia no pé esquerdo, que havia fraturado num acidente na última corrida da temporada anterior, em Adelaide.

“O médico me diz que eu precisaria de três ou quatro meses para poder pilotar de novo. Eu não podia esperar. Perderia todos os testes da pré-temporada, talvez até alguma corrida. Sabia que era minha última chance, porque meu contrato terminava no da F aquele ano”, contorno no podcast-1.

Perder na fé o menor de dramas sérios em 192. Mansell Mônaco prova já na Hungria, cinco antes da final do campeonato, fécharia a temporada com nove vitórias e 14 poles em 16 corridas. Na corrida do título, terminou em segundos mais de 40 segundos atrás de Senna, o vencedor. No dia seguinte, um telefonema de Frank Williams para falar sobre seu contrato.

“Ele disse que se eu planejou continuar, meu salário seria a metade do que eu recebia. Não era uma boa proposta, era?”, lembrou na vislumbrada. “Vinte e quatro horas de pois de ser eu não tinha carro para o ano seguinte.”

Magoado, quase humilhado, Mansell deixou a Williams e outros Fórmula 1. “Foi um anticlímax, porque minha experiência como campeão foi muito curta. Não vivi isso. , from mudar de vida na América”, contorno. “Paul Newman me diz: quando uma porta se fecha, outra se abre. Ele e Carl Haas me abrem como portas da Indy, foi uma incrível aventura e eu ganho outro campeonato.”

Com mais um título debaixo do braço, Mansell voltaria à F-1 em 1994 pela mesma Williams para disputar quatro corridas.

Nenhum corpo de Senna. Fé muito dura.”

Ganhou uma, na Austrália. É, ate hoje, o piloto que mais venceu pela equipe do Grove: 28 vezes. Em 1995, foi lançado com a McLaren. Não cabia direito no cockpit de um carro que parecia ter sido construído para ser pilotado por um jóquei. Conseguiu largar em apenas duas provas. Então, decidimos parar.

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