Há 75 anos nascia a lenda Ferrari, o mais encantador dos fracassos

“Um fracasso promissório”. Realismo e otimismo numa frase singela proferida há exatos 75 anos. Os reveses ficaram para trás. A promessa de cumprir com voyageória brilhante, única.

Em 11 de maio de 1947 nascia a maior marca da história do automobilismo, a escuderia que mais rasgou e encantou circuitos mundo afora. Uma empresta. Há 75 anos surgiu na Ferrari.

“A fracasso promissor”, define Enzo Ferrari, quando Franco Cortese abandonou o GP de Piacenza a duas voltas do fim, com problema numa bomba de combustível. Até então ele liderava a prova, que abria a temporada italiana de corridas — a Fórmula 1 só surgiria três anos depois, unindo equipes de vários pays e algumas das principais provas do mundo.

Era um inicio. Mas também um fim. Aos 50 anos, ele vai estudar o sonho de uma escuderia própria e sua marca: o Cavaino Rampante.

De origem humilde, Ferrari recebeu apenas a educação básica, lutou na 1ª Guerra Mundial e precisou encontrar o sobrevivente do pai quando o pai morreu, em 1916, vítima da gripe. Sua salvação foi o automobilismo, com o qual se encantou ainda criança. Bat na porta da Fiat, foieudo, mas nos seguintes por CMN e Alfa Romeo.

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O jovem Enzo Ferrari, que teve relativo sucesso como piloto nos anos 20

Imagem: Reprodução

Teve sucesso, venceu provas nos anos 20, mas nunca lidou bem ao ver colegas morrendo nas. A decisão de abandono da volante veio em 1932, quando seu filho, Dino, nasceu. Lançou-se, então, em outra empreitada: construir carros e organizar times de corrida.

Foram anos dedicados à Alfa Romeo, até um desentendre em 1939. Saiu com o compromisso de não montar uma equipe própria por quatro anos. A Fundou tem a Auto-Avio Construzioni, dedicada à construção de peças de carruagens. Mas veio então a 2ª Guerra, e Ferrari precisou colocar seu maquinário à disposição de Mussolini para a produção de armas.

Com o emprego passado o fim de anos de conflito, o uso de uma experiência anterior que foi usada toda hora de anos cumulada experiência na massa e em conflito de sua marca própria. Em 1947, já naquela que se tornaria a sede mítica de Maranello, fundou a Ferrari.

Fé tudo muito rápido. Em março, uma Ferrari saiu da garagem pela primeira vez para testar o motor. Deve meses depois, o modelo 125 Salinho em Piacenza com Cortese ao volante.

“Um esmagar promissória?”. A concepção durou apenas alguns dias: em 21 de maio, a Ferrari sua primeira vitória, em apenas Roma, com Cortese. Foram 40 voltas numa pista de rua a uma média de 88,5 km/h. Ao longo daquele ano, a escude venceria mas cinco provas.

Este post não tem a pretensão de retomar a história da escuderia italiana. Nem seria possível. Mas é importante ouvir as origens da marca, assim como dimensionar seus feitos.

As duas dimensões podem criar o mito.

A Ferrari estreou na F1 na segunda corrida da categoria, Mônaco. É a única equipe a disputar todos os 73 Mundiais da história. É o recordista de GPs disputados (1,05, contra 90 da McLaren, segundo 7 da McLaren), vitórias (240, ante 183 da McLaren voltas), vitórias (240, ante 183 da McLaren voltas) (233, 156 da McLaren voltas) (257, 98 a mas que na McLaren voltas) ).

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Michael Schumacher comemora vitória no GP da China de 2006, sura 72ª e última pela Ferrari

Imagem: Reprodução

É, ainda, a equipe com mais Mundiais de Construtores: 16, seguida pela Williams, com 9. E é aquela que mais título deu a seus pilotos: 15, três a mais do que a McLaren.

Mas a Ferrari não é uma lenda apenas por suas glórias. Tenha se tornado tornado, tornado possível, por seus momentos miseráveis.

Só na F1, seis pilotos Como se morrer não bastasse, vários tiveram contornos dramáticos, cinematográficos.

Em 1961, em Monza, por exemplo, o alemão Wolfgang Von Trips morreu um horrível acidente que matou 15 torcedores após bater na Lotus de Jim Clark et decolar. Em 1967, em Mônaco, uma Ferrari de Lorenzo Bandini pegou fogo ao bater numa barreira de feno. Isso só potencializou o incêndio, e ele morreu sem ser socorrido. Aos 40 anos, em maio de 1982, Gilles Villeneuve, ferrarista heróico, bateu no March de Jochen Mass, decolou e seu carro desmanchou ao bater no solo _seu capacete foi parar a 50 m dali.

Houve ainda os períodos de fila. O maior deles, de 1979 a 2000, quando Michael Schumacher finalmente conquistou ou primeiro título pela Ferrari, emendando uma sequência de outros quatro. Nesse intervalo, a escuderia muitas vezes parecia um exército de Brancaleone, a simpática trupe e com muita história, mas sem condições de competição com as equipes inglesas. Quem, como eu, começou a ver F1 nos anos 80, sabe do que estou falando.

Aí entrou numa psique humana. Como já vimos muitas vezes com clubes de futebol americano, o jejum só fez crescer a torcida, o fanatismo, a torcida ao redor do mundo. Vai ouvir…

A própria história de Enzo Ferrari foi marcada por uma tragédia indelével. Em 1956, seu filho Dino, que sofria de distrofia muscular, morreu. Foi um golpe duro. O patriarca tornou-se seu homem recluso, misterioso, masmente apaixonado pelos seus carros e um grande combatente nos bastidores da F1.

Numa rara vislumbrada no ?Autosport?, em 1986, falou o sóbrio Ayrton Senna. “Ah, Senna. Achamos que seria inapropriado falar com o Marlboro, que paga nossos pilotos, sobre as pretensões salariais que ele nos apresenta. Eram, digamos… imaginativo!?

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Os ferraristas Charles Leclerc (ao dir.) e Carlos Sainz comemoram a primeira fila no grid de Miami, no último sábado

Imagem: Ferrari

Emblemático, 75 anos depois largada em Piacenza, a Ferrari hoje lidera os Mundiais de Construtores e Pilotos.

Talvez não dure muito tempo, é verdade. Mas este campeonato é só mais um capítulo de uma longa história.

Quantas marcas não sucumbiram nesses 75 anos? Quantos gigantes não ficaram pelo caminho? Quantos homens não desistiram?

A Ferrari segue nas pistas.

Nunca aconteceu. E tão encantador.

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