Gomes: A F1 vestiu o manto do mercantilismo. GP na Arábia é uma contradição

O GP da Arábia Saudita aconteceu neste domingo (27) em meio a intenso debate sobre a realização do teste. O regime político do país, além de não respeitar os direitos humanos, está diretamente envolvido na guerra civil no Iêmen, em um conflito classificado pela ONU como a pior crise humanitária atual. A Fórmula 1no entanto, estava alheio a qualquer controvérsia envolvendo os sauditas.

No F1 ao vivo por Seixas e Fláviotransmitido por UOL Esportes logo após as corridas de Fórmula 1, os jornalistas Fábio Seixas e Flavio Gomes falaram sobre as polêmicas em torno da organização do GP da Arábia Saudita. Na sexta-feira, rebeldes iemenitas atacaram uma refinaria de petróleo pertencente à Aramco, uma das patrocinadoras da Fórmula 1 e da Aston Martin, localizada a poucos quilômetros do circuito Corniche, em Jeddah. Apesar do ataque, o calendário de corridas foi mantido.

“Mais uma vez, é a Fórmula 1 que veste o manto do mercantilismo. É o que fez durante toda a sua vida com ditaduras na América Latina e apartheid na África do Sul. Esta decisão de correr em Jeddah não passa pela minha garganta. Defenderei até o fim dos tempos para que essa corrida não aconteça. É um disparate. O tratamento reservado à Rússia, com razão, não foi o mesmo reservado a um país que tem uma empresa patrocinadora da Fórmula 1”, criticou Gomes.

Para Seixas, o jogo de interesses econômicos envolvendo a categoria permite entender o fato de a Fórmula 1 fechar os olhos para o que está acontecendo na Arábia Saudita. “Infelizmente esse é o jogo que se joga na Fórmula 1, não é hoje. Esperávamos que as coisas mudassem com a chegada do Liberty, mas talvez até piorou nesse aspecto de olhar apenas para você e não para tudo ao seu redor. Arábia e volta ano que vem Houve um comunicado da FIA e da Liberty dizendo que haveria discussões sobre essa corrida, esse evento e o futuro, mas duvido no mundo, tem dez patrocínios por ano para ser parceiro da Fórmula 1”, comentou o Colunista UOL.

Gomes também lamentou como a Fórmula 1 lidou com todos os eventos envolvendo os sauditas e manteve a corrida. “É incrível como a Fórmula 1 e outras coisas estão indo dentro dessa ditadura da ‘placa branca’. Foi um problema que manteve todos no circuito acordados até as 5 da manhã, míssil disparado de um país vizinho. Os pilotos discutiram longamente a possibilidade de não correr em um país em conflito. E no sábado e no domingo era como se nada disso tivesse acontecido”, disse o colunista UOL.

Gomes ressaltou que a Fórmula 1 faz vista grossa para questões relevantes e evita entrar em discussões que possam gerar atritos com patrocinadores ou organizadores de corrida. “Esse é outro problema na Fórmula 1, e em qualquer outro esporte, em que quem tem acesso às pessoas e em que a divulgação de informações passa a ser quase exclusivamente de responsabilidade dos próprios participantes, sem ninguém para desafiar este, que é ridículo, patético. A Fórmula 1 não usa o termo ‘ataque’ e não questiona nada.”

Seixas lamentou a forma como a categoria tratou o ataque, como se não tivesse nada a ver com corrida. “É uma coisa meio Big Brother, mas não do programa, mas do controle da informação. ‘A verdade é que, acredite, não aconteceu nada. Aquela fumaça ali não existia não’. A Fórmula 1 tem tido muito sucesso em impondo seu discurso e apagando tudo o que aconteceu na sexta-feira”, concluiu.

Não perca! A próxima edição do F1 ao vivo por Seixas e Flávio será logo após o GP da Austrália em 10 de abril. Você pode acompanhar o programa através Rede UOLnão Canal UOL Esporte no Youtube e pelas redes sociais de UOL.

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