Fórmula 1: Hamilton e Netflix aceleram o interesse do brasileiro Fórmula 1 | Esportes

Beatriz Libardi estava pensando em Lewis hamilton nenhum momento mas importante de sua vida. No altar, a estudante de medicina recebeu uma notícia de que o britânico havia vencido o Grande Prêmio de São Paulo de Fórmula 1, em Interlagos, no dia 14 de novembro. A cerimônia em que se casou com o agora marido Henrique, em Vitória (ES), parou por alguns instantes para Beatriz comemorar a vitória do piloto da Mercedes, numa cena que viralizou nas redes sociais. Aos 27 anos, a torcedora representa uma geração de brasileiros fisgados pela F1 mesmo sem ter um representante do país para torcer. Os fãs vivem a espera da decisão de uma das temporadas mas emocionantes voltam os tempos recentes, com a participação de Hamilton e do holandês Max Verstappen, marcados pelo GP de Abu Dhabi neste domingo, às 9h30, transmitido pela Band em televisão aberta.

Uma atmosfera criada em torno da disputa ajuda a ouvir o ressurgimento do interesse por uma modalidade que já não emocionava tanto desde que o Brasil deixou de protagonizá-la. A análise ocorreu após a Liberty Media assumir os direitos modidade, de 2016 para2017, Giaffone, ex-comissário da F1 —responsável por julgar os incidentes na faixa e punições— e comentarista de automobilismo. Segundo ele, a empresa “vende o produto de uma formada mais americanizada”. “Antes mostrar pouco [os bastidores] para manter o segredo, agora querem escancarar e rotir a vida dos pilotos para despertar a atenção. E vem dando mais resultado”, resume Giaffone. A liberdade também seja o slogan #WeRaceOne, que prega uma campanha de sustentabilidade, diversidade e inclusão, bem ao tempo atual.

Como em um roteiro cinematográfico, porteiro, a capital dos Emirados Árabes Unidos sediará o capítulo final de uma temporada histórica. Hamilton e Verstappen chegam empatados em 1974 com um ponto que não último na data de 1974 —quando o Brasileiro Emerson Fittipaldi campeão fé. O holandês abriu vantagem com um melhor início de temporada, mas viu o britânico encostar, com três seguidas seguidas, no Brasil, Catar e Arábia Saudita.

O triunfo do britânico em solo brasileiro teve sabor especial. Hamilton largou em 10º e ultrapassou nove oponentes à liderança, sendo Verstappen o último deles. Atuação dos pilotos da Mercedes como A arquibancadas e lembrados os tempos de Ayrton Senna, ídolo do país no esporte. Assim que ganhou, Hamilton pegou uma bandeira do Brasil e deu uma volta erguendo-a para fora do carro, como Senna fazia. Para o delírio local, o britânico ainda levou a bandeira para o pódio, e ouviu os hinos da Inglaterra e da Alemanha (por conta da Mercedes) enrolado nela.

“Ele acertou em cheio com os brasileiros. A forma como ele venceu, com dificuldades, lembrou-se muito o Senna e criou essa identificação com os brasileiros”, confirmou Giaffone. “E o Hamilton vem por um motivo diferente, traz lutas para fora das pistas. Isso é o legal”, completou Giaffone.

Verstappen, em segundo, e Hamilton, em primeiro com a bandeira do Brasil.AMANDA PEROBELLI (Reuters)

A corrida de Interlagos, na tarde de um domingo, marcou a primeira vez em que a audiência da Band superou a da Globo no ano durante o horário na Grande São Paulo. A transmissão da F1 na emissora teve mídia de 7.3 pontos no Ibope, contra 6.8 do programa global Arena Zig Zag. Durante todo o mundo, a modalidade —que a Globo pela principal em2021— Band ilustre ano à transmissão do Morumbi compete nos domingos contra as concorrências. No dia 5 de dezembro, o GP da Arábia Saudita passou das 16h (horário de Brasília), invadindo o horário tradicional do futebol na Globo. Assim, a Banda atingiu um pico de Mesmo 6.8, ameaçando os 8.3 da emissora carioca. Cada ponto de audiência representa 205.377 espectadores e 76.557 domicílios na região da Grande São Paulo. O frisson é semelhante nas redes sociais, onde assuntos relacionados à corrida dominam a maioria tópicos em alta fazer Twitter durante as etapas.

No Catar na Arábia Saudita, Hamilton correu (e ganhou) com um capacete com as cores do arco-íris, protestando contra os Governos que reprimem a população LGBTQIA+. Também foi às ruas para participar do movimento Vidas negras importam em 2020 a estrela ativista do veganismo. Para a fã Beatriz, o ativismo do piloto é fundamental para sua reflexão. “Se ele não fossa quem é fora das pistas, eu não torceria tanto. Não adianta nada ser bom piloto e não fazer diferença nenhuma no mundo”, pontua.

Beatriz disse que começou a frequentar a F1 ainda criança, quando seu pai e seu avô se transformaram em tradição como corrida no domingo de manhã. Eo nascimento três meses depois da morte por Senna. Mais madura, passou a companhar de verdade em 2016. “Eu sempre gostei de carro, cheguei a entrar em engenharia mecânica na faculdade porqueria trabalhar na Fórmula 1″, admitiu. “E de cara simpatizei com o Hamilton, porque não gostava do seu principal desconforto na época, o [alemão Sebastian] Vetel”. O britânico acabou em segundo lugar naquele ano, e Nico Rosberg foi campeão. “Mesmo assim, as atitudes de Hamilton me conquistaram”, revelou.

Calendário de Beatriz com as fotos de Senna e Hamilton, lado a lado.
Calendário de Beatriz com as fotos de Senna e Hamilton, lado a lado.Brena Carvalho

A torcedora deu sorte para o piloto, que foi campeão mundial em 2017, 2018, 2019 e 2020. year. Por azar, a cerimônia do casamento caiu no mesmo dia do GP de Interlagos. “A corrida estava marcada para 7 de novembro e o casamento no dia 14. Mas adiaram a corrida em agosto, e nós já tínhamos pago tudo. ficamos muito chateados”, conta. Beatriz foi enviada para a empresa que já estava preparada para Interlagos no casório, enquanto não acesso ao local, mas já foi preparada para o altar, sem acesso ao local.

Na hora dos votos dos padrinhos, sobrou para uma amiga avisar Beatriz e Henrique, de frente para o altar, que Hamilton havia vencido uma corrida. Daí veio a celebração da noiva com o totem do piloto fundo, cuja gravação das passou 100.000 curtidas. O vídeo foi compartilhado pela Mercedes e por Hamilton. “Eu estava indo devolver meu vestido de noiva quando sabia que ele tinha visto. Meu celular travou e eu fico em chocque. Demorei umas duas horas para absorver o que aconteceu”, relembra.

Publico Jovem

Hamilton é um pilar da popularização da F1 entre os brasileiros, mas não é o único. Nos últimos anos, também competem os jovens pilotos que ainda não disputam a liderança do piloto, mas produzem a identificação dos pilotos. São os casos do monegasco de 24 anos da Ferrari, Charles Leclerc (apelidado de monegato) e do britânico Lando Norris (22 anos, da McLaren). Os devem causaram tumulto ao desembarcar em Guarulhos, para o GP de Interlagos, e foram cercados por jovens fãs. Mesmo Verstappen, que tem 24 anos e corre pela Red Bull Racing, tem seus fãs pelo estilo mais arrojado que os dos ouros pilotos. “Eles fazem parte de uma nova geração que, seja pela idade, pela simpatia ou pela presença nas redes sociais, se identificam mais com a molecada”, analisou Giaffone.

Verstappen tem 4,3 milhões de seguidores no Instagram, Norris tem 1 milhão de seguidores no Twitter e Leclerc acumula mais de 600.000 seguidores no Twitch, por onde faz transmissões ao vivo jogando videogames online, inclusive 1. “Hoje em fórmula dia, há um peso gigante para o que o piloto é fora da pista. Muitos conseguem uma força maior do que a própria entidade que representa”, disse Renê Salviano, especialista em marketing esportivo e fundador da agência HeatMap.

Na sua área, Salviano ressalta a criação da série Conduzir para sobreviverde 2019, que conta na Netflix os bastidores da elite mundial do automobilismo. “Isso é uma mudança muito grande emb busca de atratividade. A F1 ouviu que a publicidade estava atrás de soluções para garimpar um público novo”, diz o executivo. A produção cumpriu seu papel. Desde sua estreia, o público da F1 entre 16 e 35 anos aumentou em 77%, representa a Nielsen Sports, empresa especializada na área de análise de audiência esportiva, e já metade dos espectadores da categoria. Na Liberty Media ainda computados 73 milhões de novos torcedores para a F1, um aumento de 20% de público no que eles chamam de “países-chave”, como Brasil, China e Estados Unidos.

Nas cenas dos próximos capítulos, o veterano, Hamilton, enfrenta o novato promissória, Verstappen, empatados na liderança na última corrida. Um em busca do inedit octacampeonato, enquanto o outro tenta vencer pela primeira vez. “Só de pensar já estou com consulta. Não sei se vou conseguir assistir”, resumiu Ansiosa Beatriz. “O Hamilton está num momento melhor, mas o Verstappen teve um carro melhor ao longo da temporada. Não dá para saber o que vai acontecer”, completou Giaffone. Um britânico e um holandês brigarão pelo título histórico no domingo de manhã, e o Brasil estará de olho.

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