Flamengo é quem mais arrecadado com transferências; veja quem vem atrás

O futebol americano brasileiro — que é o principal exportador de jogadores para o mercado mundial, segundo a Fifa — tem no Flamengo o clube que mais arrecadado com os downloads. O cenário pode ser reportado balanços financeiros de 2021 e também pelo consolidado dos últimos seis anos.

No ano passado, o rubro-negro faturou R$ 278 milhões esse quesito e ficou à frente, com folgas, do segundo clube da lista: o Grêmio, com R$ 159 milhões. Desde 2016, os balanços do Fla apontam R$ 1,06 bilhão com downloads.

Segundo relatório da consultoria Ernst & Young (EY), as transferências representam 20% do total arrecadado pelos clubes em 2021 — uma fatia de R$ 1,4 bilhão dos R$ 7,04 bilhões totais. É a principal linha de receita, perda para os direitos de transmissão e distribuição, que são 50% do bolo.

“As receitas muito relevantes para se considerar numa análise de maneira recorrente, alguns grupos conseguem fazer um trabalho mais estratégico na venda de atletas. Deixa de ser uma situação como cair um raio em um clube”, comentou Pedro Daniel, diretor executivo da área de esportes da EY no Brasil.

Especificamente em 2021, o Palmeiras foi o terceiro clube maior arrecadação em downloads (R$ 139 milhões), o que o manteve bem posicionado no ranking dos últimos seis anos (em quarto), passando o rival corinthians. O São Paulo ficou em quarto no quesito em 2021 (R$ 121 milhões), mas é o segundo que mais faturou de 2016 para cá.

Para quem consegue negociar com o mercado internacional, um bom posicionamento em relação às transferências é a porta para verba em moeda estrangeira, algo que ajuda a blindar o clube quando ocorrem crises de valorização do real.

Não houve um caso de vendas anteriores, como nos últimos anos, Reinier, Flamengo, Vini Jr, ano passado, Gerson. A maioria dos casos aponta para uma valorização da base, mas também um bom posicionamento de mercado para as condições de “reciclar” Gerson, que vinha sem na Roma. O Grêmio também conseguiu executar a estratégia relevante, engatando transferências como de Pedro Rocha, Arthur, Everton Cebolinha e Pepê.

Por que dá certo?

Entrar nesse ciclo virtuoso do mercado e conseguir extrair o máximo possível de seus ativos é uma combinação que exige alguns elementos. Na visão de Claudio Pracownik, que foi vice de finanças do Flamengo na gestão Bandeira de Mello e atualmente é CEO da empresa Win The Game, clube cumpriu bem seu papel em três frentes: acesso ao mercado europeu, qualidade da matéria-prima e capacidade vai financiar.

Acesso ao mercado europeu

“Quanto mais consolidado, em termos de governança, balanço, credibilidade você tem, mais a você, mais convites você tem para ingressar nesse grupo de transações comerciais. Quando se opera mais diretamente, sem intermediarios? Quanto mais transações você faz e mais profissionalizado? você vai, chama mais atenção à mesa, casamento, mais você tem para o clube. Te ingressos para mais ‘festas'”.

Qualidade da matéria prima

“A questão do produto tem a ver com resiliência e consistência. Quando os clubes por um momento de crise, o primeiro lugar em que eles fazem cortes são na formação. O último lugar. O que o Flamengo faz há tempo é a consistência de O que há de esperar para investir na base de 2012 para cá futuro, o investimento na base vai te dar mais retorno”.

A capacidade financiará

“O terceiro é a sua barganha na mesa. Quando os clubes vão para a mesa de negociação desperados, eles vão vender por menos esses elementos ativos que valem mais. Quando você tem tempo para segurar o talento e ativar ele maturar, você vai vender mais. caro. Quanto mais paritária para uma mesa de negociação, melhor vai ser o preço”.

Há tempo certo para vender?

O mercado internacional tem olhado para a América do Sul e buscou jogadores cada vez mais jovens. Na idade mínima, segundo a Lei Pelé, 18 anos. Mas tem gente que já foi vendida antes, como Vini Jr. e Rodrygo, e espera o aniversário para embarcar para o outro lado do Atlântico.

Esse contexto favorece os clubes que têm uma categoria de base estruturada, como o Fluminense. A marca de Xerém alimenta o tempo de cima e fornece os jogadores. Mas, em valores, o tricolor ficou bem atrás que o Flamengo nos últimos anos. E aí entrou em questão do contexto econômico-financeiro do clube e poder de barganha na hora de negociação. E o próprio presidente Mário Bittencourt já é isso.

“Hoje, não vende muito bem por causa da situação financeira, mas vende melhor do que vendia. Que aqueles que foram vendidos. Pode melhorar a venda? Pode. Na verdade, recusou a venda. Se a gente recusou uma venda, você está recusado. comprando esse jogador pelo preço que vende”, citou o directente

Mas como calibrar o tempo entre segurar o jogador pensando na performance esportiva e na geração de receitas?

“Essa é a pergunta do bilhão. Cada venda de atleta é um projeto. outros ativos. Talvez R$ 100 milhões sejam baratos”, pondera Pedro Daniel.

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