efeito solo

Chaparral 2J

Colaboração: Antonio Carlos Mello Cesar

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Aspirador de pó, mangueira de jardim, furacão, o que essas três coisas têm a ver com o chamado ‘efeito solo’ da F1 de hoje?

Bem, vamos começar na distante década de 1970 e no Chaparral 2J, cujo apelido deriva da junção dos nomes de seus criadores Jim Hall e Bob Sharp, dois ricos texanos ligados à exploração de petróleo e automobilismo. Participando naquele ano da série Can-Am, categoria protótipo, foi sem dúvida o primeiro carro a usar efeito solo.

Motor Chevrolet em alumínio, 650 cv, transmissão semiautomática de três marchas, 800 kg., diferenciava-se dos demais pela estética quadrada e reta, sem as grandes entradas de ar, o perfil aerodinâmico ou a forma de cunha comum à época. Uma traseira única, começando com as rodas totalmente cobertas, dois ventiladores e um motor Rockwell de 247 cc, dois tempos, dois cilindros e 45 hp usado em motos de neve.

As saias de plástico policarbonato, um material leve, flexível e muito resistente, cobriam as laterais para reter o ar sob o carro e manter seu fluxo constante. Os ventiladores ligados funcionavam como um exaustor, capaz de expelir 11.600 metros cúbicos de ar por minuto, dependendo da velocidade do carro. Mas também, como um “aspirador”, sugava os detritos do asfalto, a poeira, o óleo, os resíduos de borracha, jogando toda a sujeira no rosto do motorista que vinha logo atrás.

Jackie Stewart dirigiu o Chaparral em Watkins Glen e disse que ficou impressionado com a forma estável do carro em todas as situações, as curvas altas são fantásticas. Enzo Ferrari, por outro lado, zombou: eles inventam essas coisas porque não podem fazer motores potentes como os nossos. 2J nunca ganhou sempre algo quebrou ou não funcionou corretamente.

Em carros de corrida para alcançar o efeito solo, os engenheiros trabalham com a energia, vazão, pressão e potencial gravitacional de um fluido. Uma equação proposta por Bernoulli no século XVII, demonstrada pelo físico Giovanni Battista Venturi em 1797 (Efeito Venturi). Graças ao teorema, podemos explicar a sustentação de um avião no ar devido à diferença de pressão nas asas do avião.

Quem nunca viu um “furacão” na televisão rasgando os telhados das casas? O vento de alta velocidade próximo, nos telhados, provoca uma área de baixa pressão no local, porém a pressão interna do imóvel aumenta tornando-se maior que a externa, isso gera uma força ascendente capaz de empurrar e rasgar o telhado.

“Mangueira de jardim”: Ao comprimir a ponta do tubo de borracha flexível, a velocidade de saída da água aumenta, o jato vai mais longe, sem modificar a vazão e a quantidade de líquido que entra e passa pela mangueira.

O efeito solo usa conceitos do furacão, neste caso a inversão de pressão, e a mangueira de jardim. Parte do ar capturado é direcionado para baixo do carro, estrangulado para um ponto de saída mais estreito e direcionado para cima, ganhando maior velocidade do que o vento que passa sobre o veículo. Uma área de baixa pressão é criada sob a F1, mesmo quando a pressão se acumula acima do carro, forçando o motor ao solo.

Antonio Carlos Mello César
São Paulo-SP

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