Críticas, desrespeito e imediatismo: temos de falar por Sebastian Vettel | para baixo

Você é tão bom quanto sua última corrida

Esta é uma velha máxima do automobilismo. Serve para todas as categorias, sem exceção, e principalmente para a Fórmula 1, que sempre atrai mas atenção que as demais. Apesar de ser muito antiga, jaqueta como uma luva o mundo atual, marcada pelo imediatismo de tudo. Algo que é bem informado por redes sociais, mas não só elas. Basta um erro, um deslize, por menor que seja, para a enxurrada de críticas começar. Pior, muitas delas com o desrespeito atrelado. Esse procedimento, inclusive, fé batizado como “cancelamento”. Vivemos a era da “cultura do cancelamento” em tudo.

Sebastian Vettel comemora sua primeira vitória na Fórmula 1, no GP da Itália de 2008, em Monza — Foto: Clive Mason/Getty Images

Mas você deve estar formulando o que está definido o Rafa está escrevendo e explicando a “cultura cancelamento” em um texto sobre1 no Voando Baixo? Singles: Porque é exatamente o processo pelo qual Sebastian Vettel está passando neste momento. Um piloto com um currículo invejável: o alemão é apenas um dos quatro pilotos da história da maior categoria do automobilismo a ter ganho ao menos quatro títulos em sequência, entre 2010 e 2013. Os outros são ninguém menos que Michael Schumacher (5 entre 2000 e 2004), Juan Manuel Fangio (4 entre 1954 e 1957) e Lewis Hamilton (4 entre 2017 e 2020).

Sebastian Vettel cruza a linha de chegada em sua primeira vitória na Fórmula 1, no GP da Itália de 2008, em Monza — Foto: Clive Mason/Getty Images

Isso sem falar nos outros números: em 15 temporadas completas, Vettel tem 280 largadas com 53 vitórias (3º sem ranking), 57 pole positions (4º sem ranking), 122 pódios (3º sem ranking), 101 primeiras filas (3º sem ranking) e 38 melhores voltas (5º sem classificação). Como é o piloto como o currículo começa com o seu talento? “Ah, mas ele está em má fase”, vocês podem dizer. Quem nunca passou por isso, não é mesmo? Ainda assim, a carreira do tetracampeão não pode ser resumida apenas pelos momentos ruínas. Até porque eles foram minoria. De 2007 a 2018, Vettel fé sempre um dos principais pilotos da semana 1. Venceu sua primeira corrida com uma Toro Rosso, no GP da Itália de 2008. com um desempenho assombroso debaixo de chuva em Monza Durante todo o fim de Fórmula.

No GP da China de 2009, Sebastian Vettel conquistou a vitória da Red Bull na primeira Fórmula 1 — Foto: Vladimir Rys/Bongarts/Getty Images

É fato que Sebastian Vettel mudou a história da Red Bull na Fórmula 1. Até então, ela vista apenas como simpática equipe, uma plataforma de marketing para a gigante das bebidas energéticas. Após a vitória, fé puxada para a main 2009. Em grande time na vitória, na primeira vitória do tempo, na China, em muita água, em Xangai, em Xangai. Logo em sua primeira temporada pelo tempo, vice-campeão de fé após uma bela reação na segunda metade do ano. Ficou apenas atrás do inglês Jenson Button, que dominou o início do campeonato com uma surpresa Brawn GP e seu famoso difusor duplo.

Sebastian Vettel comemora sua estreia na Fórmula 1 após vencer o GP de Abu Dhabi de 2010 — Foto: Mark Thompson/Getty Images

As vitórias em seus quatro títulos de referência abrangente sempre com a marca de domínio. O alemão sempre foi implacável, não dava chance aos acessórios. Não perdoava nem o companheiro de equipe – Mark Webber que o diga. As conquistas de 2010 e 2012, porém, chegaram com algum drama, apenas na última corrida do ano – o primeiro título, inclusive, veio sem liderar o Mundial de Pilotos em momento da temporada. Já em 2011 e 2013, ele sobrou: foram 11 e 13 vitórias, respectivamente, em cada campeonato (ambos tiveram 19 GPs). O estilo de Vettel casou com os carros projetados pelomago Adrian Newey. E como conquistas colocaram definitivamente um Red Bull no mapa, como uma das grandes equipes das últimas décadas na Fórmula 1. “Culpa” de Vettel.

Sebastian Vettel comemora o tricampeonato na Fórmula 1 após o GP do Brasil de 2012, em Interlagos — Foto: Clive Mason/Getty Images

“Ah, mas ele só ganhou com carro bom”, dizem alguns. E respondo com uma pergunta: qual piloto conseguiu ser campeão do mundo com um carro ruim? Nenhum. O máximo que já aconteceu na era moderna da Fórmula 1 é levar o título com o segundo ou o terceiro melhor. E isso em anos muito equilibrados, completamente atípicos na história da maior categoria do automobilismo. E, mesmo assim, em 2010 e 2012, a Red Bull de Vetel não era o melhor carro isolado. Havia, no mínimo, um equilíbrio com McLaren e Ferrari nas duas temporadas. Em todo o campeonato2012, por exemplo, Fernando Alonso dominou o campeonato, campeã nacional, respirado na reta do campeonato italiana. E, ao mesmo tempo, viu Vettel e RBR crescerem. Título confirmado em um dramático GP do Brasil, em que o alemão teve de se recuperar, dé baixo de chuva, com um carro danificado após ser tocado na primeira volta. Uma das melhores atuações de um piloto que já vi.

Uma imagem icônica do tetracampeonato de Sebastian Vettel após o GP da Índia de 2013 — Foto: Getty Images

Em 2015, aceitou o desafio de liderar a Ferrari de volta bon dias. E o título não tenha vindo, embora tenha como favorito a equipe italiana de volta entre na era híbrida da F1. Foram 14 vitórias em seis temporadas. Em 2017, por exemplo, contestou o título a ponto com Lewis Hamilton até férias de verão da categoria. Depois disso, a Ferrari sofreu muitos problemas mecânicos, enquanto a Mercedes abria vantagem. A história se repetiria em 2018, com um desempenho muito consistente do alemão até o fatídico erro no Estádio de Hockenheim. Aquele erro na liderança de uma corrida quase ganha desligou algum botão mental no tetracampeão. Ele mergulhou em uma fase péssima em suas duas temporadas efetivas na equipe, lutando com o carro e com a preferência pelo talentoso monegasco Charles Leclerc, prata da casa, primeiro piloto formado pela Academia Ferrari mais recente a ser feito no principal time.

Sebastian Vettel comemora a vitória no GP de Mônaco de 2017, uma de suas várias pela Ferrari — Foto: Marc Piasecki/WireImage

A mudança para a Aston Martin no fim de 2020 parecia ser um enorme acerto. Afinal, uma equipe inglesa vinha de uma temporada muito forte – ainda como Racing Point – e ganharia investimentos do novo dono Lawrence Stroll eo pedigree de uma marca muito reconhecida no mundo automotivo e no automobilismo. Mas o carro não manteve o desempenho na temporada passada. E, ainda assim, Vettel aproveitou as chances que teve: experimentou ao pódio duas, com owe segundos lugares nozerbaijão e na Hungria – onde acabou desclassificado por um erro de cálculo A vez de combustível da equipe: seu carro não tinha o mínimo no tanque required pelo regulamento para uma inspeção pós-prova.

Sebastian Vettel comemora o segundo lugar no GP do Azerbaijão de 2021, já na Aston Martin — Foto: Dan Istitene/F1 via Getty Images

Como Vettel temporada começa em 2022? Nao da. Primeiro que, novamente, a Aston Martin fez um carro pessimo – e que parece não ter solução tão fácil assim para melhorar. Depois, o alemão ainda pegou Covid-19 na semana da primeira corrida do ano, no Bahrain. Com isso, ele ficou fora dos GPs devidos do início da temporada, já que ele não foi negativo ou teste antes da prova na Arábia Saudita. A estreia mesmo do tetracampeão foi apenas no GP da Austrália. Ainda assim, aquele jeito: seu AMR2 teve problemas mecânicos em todos os treinos livres. Por causa disso, na classificação foram apenas duas voltas no fim do Q1. E a corrida terminou com o chamado overdrive: Vettel tentou andar mais do que o carro e ficou sozinho. Afinal, deve ser angustiante para um tetracampeão ter de andar nas últimas posições com um modelo que não oferece chances para mais do que isso. Na Aston Martin é um time único zerado em 2022.

Em sua primeira corrida na temporada 2022, Sebastian Vettel teve uma série de problemas mecânicos na Aston Martin — Foto: Robert Cianflone/Getty Images

Por tudo isso, ignorância deste pedido é uma injustiça a aposentadoria de Sebastian Vettel. Enquanto o tetracampeão tiver um carro à sua disposição, tem mais é que continue sua providência. O alemão ainda agrega demais à Fórmula 1, seja dentro das pistas, com seu talento, ou fora delas, com o potencial de marketing de seus quatro títulos e, claro, de sua posição bastante ativa na luta contra as desigualdades da categoria e do mundo real. Ainda mais em uma categoria que cada vez mais tem vagas de titulares ocupados por pilotos pagantes (e que não têm sequer a metade do talento de um tetracampeão como Vettel), como Lance Stroll, Nicholas Latifi, Kevin Magnussen, Guanyu Zhou e, ate o ano passado, Nikita Mazepin.

Sebastian Vettel com seu capacete em protesto pedindo o fim da guerra na Ucrânia — Foto: Dan Istitene/F1 via Getty Images

Em suma: a intenção deste texto não é dizer que Sebastian Vettel tem de ser imune às críticas. Muito pelo contrário: todo mundo merece ser criticado em algum momento, desde que seja de forma construtiva e com respeito. Jogar ou o profissional de carreira com muito talento, não menos que o mínimo, em que o serviço dele é igual a alguém, não menos talentoso, é o único que é digno de sucesso. Eu falar sobre a tranquilidade do mundo: o primeiro pilotos que aprenderam a conhecer um pouco da base aos veteranos da F1. Estive apresenta para conquistar de deve deles, justamente os de 2010 e 2012, mas dramático. Sei do que é capaz. Já vi seu talento inúmeras vezes na faixa e fora delas. Vettel está entre os maiores da história, sem dúvidas.

Sebastian Vettel saúda o public das arquibancadas do Albert Park antes do GP da Australia — Foto: Mark Peterson/ATPImages/Getty Images

Para encerrar, já que estamos em clima de Carnaval, deixo um verso de um dos meus sambas favoritos, “Moleque Atrevido”, cantado pela lenda Jorge Aragão e composto por ele, Flavio Cardoso e Paulinho Rezende:

Respeite quem pode chegar onde a gente chegou

Jorge Aragão canta ‘Moleque Atrevido’

Perfil Rafael Lopes — Foto: Editoria de Arte/GloboEsporte.com

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