Como o clube se equilibra financeiramente mesmo com dívidas

Dono da maior dívida Futebol mercado brasileiro, que gira em torno de 1,4 bilhão de reais, o Atlético-MG montou uma das equipes mais qualificadas do país, por isso também tem uma das folhas salariais da Série A do campeonato brasileiro.

A situação dentro de campo não condiz com as finanças do clube, que conquistou o Brasileirão e a Copa do Brasil na temporada passada – mas é um risco calculado. Na prática, Galo aumentou a dívida para aumentar sua renda e em breve poderá reduzir drasticamente o que deve.

As decisões dentro do clube não são aleatórias, pois o Atlético segue um plano elaborado em colaboração com a E&Y. A consultoria está no clube desde 2019 e elaborou o plano a seguir. O aumento do endividamento era esperado, pois Galo não tinha recursos para se sustentar ou para qualificar o time e colher resultados esportivos.

No ano passado, por exemplo, as boas campanhas gerou mais de R$ 200 milhões ao Galo. O mesmo vale para encontrar patrocinadores. Só o uniforme do Atlético rendeu ao clube cerca de R$ 40 milhões em 2021 e com certeza aumentará 50% para a temporada, ou seja, R$ 60 milhões estão garantidos.

Para 2023, a arrecadação com patrocínio deve chegar a quase 100 milhões de reais. — sem esquecer da inauguração da Arena MRV, construída com recursos do clube e que deverá movimentar mais de 100 milhões de reais por ano quando estiver em pleno funcionamento.

Pode parecer estranho que o Atlético esteja aumentando sua renda, como aconteceu no ano passado, e continue vendo o endividamento aumentar. A resposta está no planejamento financeiro do clube. Era preciso investir no futebol para gerar recursos suficientes para manter o time forte e competitivo. Foi o que aconteceu. Para 2022, por exemplo, não há previsão de novos empréstimos dos patrocinadores, que investiram mais de R$ 400 milhões no clube entre 2020 e 2021. Aliás, com a renda que já garantiu, o Atlético não corre o risco de atrasar os salários nesta temporada.

Dívida abaixo de R$ 400 milhões em 2026

De acordo com um plano elaborado pela E&Y, o Atlético consegue reduzir sua dívida em R$ 1 bilhão até 2026. Mas para isso terá que se desfazer de seus ativos. É o caso de 49,9% do Diamond Mall, shopping center localizado na região Centro-Sul de Belo Horizonte. Só a participação do Atlético está avaliada em R$ 350 milhões.

Dívida à família Eu fui, assim como a questão tributária, não é uma preocupação para a gestão da alvinegra. São cerca de 700 milhões de reais que o clube tem que pagar no longo prazo, com juros baixos, ou mesmo sem juros, no caso de empréstimos tomados de Rubens. Eu fui.

O resto da dívida é o que mantém os líderes acordados à noite. São dívidas com instituições financeiras e outros credores, que geram o pagamento de aproximadamente R$ 60 milhões com juros apenas a cada ano. A venda do empreendimento pode liquidar ou deixar o Atlético à beira de acabar com essa dívida “mau”.

Afinal, a conta virá?

Para o Atlético, a questão decisiva é: o clube está preparado? A resposta hoje é não. “Quanto à participação de 4R, é uma realidade, não há como fugir disso e não alugá-los. Sem eles estaríamos na segunda divisão”, disse o presidente do clube, Sérgio Coelho.

Os 4Rs citados pelo representante do alvinegro são Rubens Menin, Rafael Menin, Ricardo Guimarães e Renato Salvador. Todos conselheiros do clube, os bilionários fazem parte de um colegiado que administra o Atlético, ao lado do próprio Sérgio Coelho e do vice-presidente José Murilo Procópio. É graças ao apoio financeiro destes mecenas, que preferem ser tratados como investidores, que o Atlético consegue construir uma equipa sólida.

O caminho do Atlético é mais parecido com o do Palmeiras do que o do Flamengo. O Rubro-Negro conseguiu fazer uma recuperação orgânica. Com uma enorme capacidade de faturamento, o trabalho realizado internamente teve como objetivo alavancar receitas e reduzir despesas desnecessárias. Funcionou. No Palmeiras, foi preciso tomar R$ 150 milhões emprestados do ex-presidente Paulo Nobre para que o clube vivesse uma recuperação esportiva e administrativa. Funcionou também.

Apesar de já ter entrado na briga com cariocas e paulistas em campo, o Atlético ainda não está no mesmo patamar dos principais candidatos aos títulos. Mas, por enquanto, tudo está indo como planejado. Se hoje o Galo não estiver pronto para o dia da chegada da conta, com o apoio financeiro dos patrões, o clube atrasa a chegada desse dia até que esteja pronto.

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