A geração de campeãs mundiais no handebol feminino não será campeã olímpica – 08/02/2021

Nesta segunda-feira (2) em Tóquio, a alegria do esporte esteve no círculo central da quadra. Os franceses dançaram um música feliz com o sol e as praias do grupo Weezer. Os brasileiros formaram um círculo silencioso em frente ao banco. Foi a última conversa coletiva em quadra para as mulheres que fizeram do país campeã mundial em 2013.

Foi mais que o grito de eliminação, foi a dor do fim. A derrota para a França por 29 a 22 marca o fim da geração de maior sucesso do handebol feminino no Brasil. O apito final do último jogo da fase classificatória marcou a eliminação da seleção brasileira nas Olimpíadas. Foi aí que terminou o propósito da existência desse grupo específico de jogadores. E provavelmente terminou aí também, o objetivo olímpico de quatro mulheres em particular.

É um rito de passagem tão importante quanto terminar o ensino médio. A vida nunca mais sera a mesma. A diferença é que essas quatro mulheres estão na faixa dos 30 anos e têm uma compreensão muito melhor do que está acontecendo. Eles sabem o quanto vão sentir falta da vida do atleta. Passando pela área de entrevista, é possível ver olhos vermelhos. Feira. Eles não seriam humanos se fosse diferente.

Esses quatro jogadores em quadra que não deveriam estar no Paris-2024. A goleira Bárbara, eleita a melhor do mundo em 2013, tem 34 anos. Ana Paula, 33; Ale, 39; e Duda Amorim, 34. Eles são os únicos campeões mundiais da equipe que o técnico espanhol Jorge Dueñas convocou para Tóquio-2020.

Duda sempre foi o principal jogador da seleção brasileira, inclusive na campanha da Copa do Mundo. Considerada um talento por ser conhecida como irmã de Ana Amorim (uma das primeiras brasileiras a jogar – e brilhar – no handebol europeu), ela já era campeã brasileira aos 16 anos. Ele foi jogar com sua irmã mais velha na Europa quando adolescente e ganhou cinco Ligas dos Campeões da Europa.

Ela foi eleita a melhor jogadora do mundo em 2014 e eleita a melhor jogadora da década 2011-2020 em uma eleição popular pela revista Handball Planet, uma das publicações esportivas mais influentes do mundo.

Duda Amorim recebe o troféu de melhor jogadora de handebol da década

Imagem: Publicidade/EHF

novos caminhos

Mas o fim dos ciclos também marca oportunidades. É mais fácil que algo surja onde há um vazio. A vida saudável e disciplinada do esporte facilita o nascimento de algo saudável. A história do lateral-direito Alê comprova essa possibilidade. Ela tenta se aposentar desde as Olimpíadas do Rio de Janeiro. Mas é difícil deixar de lado algo que você faz com amor. Talvez, apenas por um amor maior.

“Fiquei cinco anos dizendo a mim mesma que ia parar de jogar e não consegui. Mas agora chegou a hora: quero ser mãe também. Agora que as Olimpíadas acabaram, meu objetivo é realmente me concentrar mais no meu corpo para visualizar meu objetivo.”

O fato de Alexandra enfrentar um novo ciclo olímpico depois do Rio mostra o quanto o handebol é importante em sua vida. O jogador adiou os planos de ter um filho e concordou em se submeter a uma cirurgia no ligamento cruzado do joelho. Quem pensa que a fisioterapia é ruim deixaria de reclamar se conhecesse a fisioterapia esportiva.

A ferida da operação ainda está aberta e o atleta é forçado a dobrar a perna em um determinado ângulo. Às vezes, o fisioterapeuta usa o peso do corpo para empurrar a perna do paciente e atingir a amplitude desejada. Dói, sangra e sai pus, mas planeja voltar ao esporte em algumas semanas.

Alexandra aceitou esse esforço e adiou o sonho de ser mãe. Mas agora chegou a hora. Ela deixou a quadra na segunda-feira como jogadora aposentada.

“Na verdade, dei toda a minha vida ao handebol e faria de novo. Dei com prazer, com determinação e com muito amor. E não tenho medo do futuro.

Tudo indica que um bebê está chegando.

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